Publicação de artigo na revista da ABAS

05.08.2013

SUBSÍDIOS PARA PERFURAÇÕES MAIS SEGURAS E MAIOR PROTEÇÃO AOS AQUÍFEROS

Subsídios para perfurações mais seguras e maior proteção aos aquiferos

Revista ABAS

Investigações ambientais em áreas urbanizadas e industriais requerem certos cuidados, principalmente no que se refere à proteção das pessoas diretamente envolvidas nas atividades de perfuração e também à proteção dos níveis mais profundos dos aquíferos.Essas áreas contêm inúmeras utilidades subterrâneas,nem sempre identificadas em planta, muitas vezes sequer conhecidas e podem vir a se tornar objetos de acidentes. Redes elétricas, dutos de combustíveis líquidos,dutos de gás, tubulações de ar comprimido, linhas de vapor, linhas telefônicas, redes de água e outras tantas modalidades de interferências subterrâneas, podem se constituir em perigos à integridade física dos trabalhadores em serviços de sondagem, além dos prejuízos materiais causados pelo rompimento acidental de tubulações enterradas.
Os procedimentos comumente empregados no Brasil não contemplam medidas de segurança que evitemo contato das ferramentas de perfuração com as indesejadas interferências, nem tão pouco o contato humano com as ferramentas citadas, criando a possibilidade de conexão direta entre o corpo dos sondadores com as tubulações enterradas.Algumas empresas adotam em escala global procedimentos adicionais de segurança, relacionados em protocolos denominados de Subsurface Clearence Protocol(SCP). Tal protocolo prevê a execução de trabalhos anteriores à execução do “pré-furo”.
Primeiramente, elege-se um responsável, com experiência comprovada em trabalhos de sondagem para investigação ambiental. Esse profissional realiza o pré-reconhecimento de campo, utilizando-se de equipamentos localizadores de tubulações, denominados de CAT(cable avoidance tool). Esses equipamentos permitem detectar com segurança e elevado grau de confiabilidade a presença de tubulações nos locais de perfuração. Caso seja constatada a presença de tubulações sob os pontos de sondagem, os mesmos devem ser reposicionados, adotando-se como margem de confiança o raio mínimo de três metros de distância da tubulação detectada. Após a utilização do CAT, deve-se então partir para a execução do “pré-furo”.
A condição de trabalho ideal é a utilização de air knife, para a execução da perfuração dos dois primeiros metros em cada sondagem. Sabemos que a disponibilidade de equipamentos de air knife no Brasil,ainda é extremamente limitada. Desta forma, recomenda-se que a equipe de sondagem utilize luvas de alta tensão e os primeiros dois metros sejam executados manualmente, com emprego de trados de fiber glass, eliminando qualquer risco de contato direto com as interferências, principalmente redes elétricas subterrâneas.
Outro ponto de proteção importante diz respeito ao impedimento do transporte de contaminantes a partir de níveis rasos do aquífero para níveis mais profundos através de migração ao longo de furos de sondagem e poços de monitoramento “abertos”.Em investigações ambientais detalhadas faz-se necessária a instalação de poços de monitoramento multiníveis, que tem por finalidade investigar a presença de contaminantes em níveis mais profundos dos aquíferos subterrâneos. Ocorre que, caso não sejam adotadas medidas cautelares, existe a possibilidade da geração de contaminações cruzadas através da migração vertical de contaminantes e a interconexão hidráulica entre diferentes níveis de um aquífero, geradas no interior de um poço multinível.
Uma solução capaz de impedir essa situação é a adoção de revestimento e isolamento das partes rasas do aquífero, evidentemente contaminadas, anterior à instalação do poço de monitoramento multinível. Algumas empresas adotam a utilização de double casing, para garantira vedação do aquífero raso e impedir que contaminantes migrem verticalmente ao longo de uma sondagem.O procedimento consiste em executar a perfuração com diâmetro maior e instalar tubulação de revestimento de 10”, 8”, 6” ou 4”, dependendo de cada caso, nos primeiros horizontes do aquífero. O espaço anular entre a parede da perfuração e a parede externa do revestimento é preenchida com calda de cimento e betonita,injetada com bomba e tubulação auxiliar.
Após a cura do selo de cimento é então executada a perfuração para a instalação do poço de monitoramento do nível de profundidade desejado, caracterizando assim o double casing. Este procedimento deve ser adotado também para a instalação de poços de monitoramento em aquíferos fraturados.